26/11/2025

Congresso do Sinte/RN aprova resolução que subordina o sindicato à eleição de Lula e Fátima/Cadu em 2026

Nota Sindical da Corrente Proletária na Educação (CPE) – novembro. 2025

 

Congresso do Sinte/RN aprova resolução que subordina o sindicato à eleição de Lula e Fátima/Cadu em 2026

Entre os dias 20 a 22 de novembro, foi realizado o XVII congresso do Sinte/RN. Marcado pelo burocratismo, não servirá para organizar a luta dos oprimidos contra os governos e prefeitos. A direção do Sinte/RN já mostrou que irá se sujeitar ao eleitoralismo, desmantelando a independência político-sindical. Portanto, os trabalhadores em educação devem assimilar essa experiência congressual para se prepararem para as próximas lutas, considerando os empecilhos políticos da direção do Sinte.

O segundo dia foi marcado pela aprovação da tese-guia proposta pela direção sindical. Esse mecanismo burocrático e antidemocrático permite com que as discussões fiquem restritas em torno da política reformista, desconsiderando as teses das demais correntes políticas, que não puderam expressar todo o seu conteúdo nas discussões. Além disso, as propostas de emendas à tese-guia aprovada só poderiam ser apreciadas e votadas no plenário se obtivessem 30% de aprovação nos grupos de trabalho. Trata-se de um agravamento da cláusula de barreira, imposta pela direção sindical, para tolher a discussão sobre os problemas e reivindicações da categoria. Sem contar que os delegados só puderam conhecer o conteúdo das demais teses no primeiro dia do congresso.

Como se não bastasse, praticamente todas as mesas foram apresentadas por figuras e políticos vinculados ao reformismo petista, que tiveram amplo espaço e tempo de fala. Um dos palestrantes, Walter Pomar, da Fundação Perseu Abramo (PT), fez críticas superficiais à resolução da Corrente Proletária na Educação (CPE/POR). Ele discordou da tese marxista, defendida no boletim, de que a classe operária é a classe revolucionária e de que os governos Lula e Fátima são burgueses, mas não explicou por que discorda.

No segundo dia, houve a defesa oral das teses das correntes políticas (CTB; Corrente Proletária/POR; PT; e Muda Sinte, ligada ao PSTU) para, em seguida, votar a tese-guia do congresso. A tese do PT obteve a maioria dos votos. A Corrente Proletária discorda frontalmente do mecanismo da “tese-guia”, pois considera tal regra uma impostura antidemocrática, visando impedir que as demais correntes expressem sua política. A essência da “tese-guia” é a de subordinação eleitoral ao reformismo petista, pois defende que a categoria apoie a reeleição de Lula e, localmente, a candidatura de Cadu para governador do estado, nas eleições de 2026. Essa política confronta totalmente com o princípio da independência dos sindicatos perante governos e patrões. O sindicato é um valioso instrumento que serve para organizar a luta pelas reinvindicações dos trabalhadores, não deve, portanto, se sujeitar a esse ou aquele governo de turno.

A tese da Corrente Proletária demostrou o caminho da independência político-sindical, de oposição revolucionária aos governos burgueses do PT, de organização da luta contra os ataques das prefeituras comandadas pela direita e ultradireita, no campo da luta de classes e com o método da ação direta. A tese defendeu também as bandeiras da Frente Única Anti-imperialista, da revogação das contrarreformas e de construção de um plano de lutas, a fim de organizar luta nacional por um salário mínimo vital, além da defesa da expropriação da rede privada de educação, sem indenização.

Defendeu incondicionalmente as reivindicações dos professores temporários e propôs em sua tese que o XVII Congresso aprovasse o direito de filiação desses trabalhadores ao sindicato. A aprovação desse ponto foi uma vitória para toda a categoria, mas a direção sindical conseguiu incluir um grande retrocesso: o temporário perde o direito de filiação quando seu contrato se encerra, oferecendo apenas 6 meses de consulta jurídica. A Corrente Proletária repudia essa discriminação contra os companheiros temporários (ver mais).

A corrente Proletária atuou em dois grupos de trabalhos (GTs): no estatuto e no plano de lutas. No plano de lutas, foi importante ter aprovado o salário mínimo do DIEESE como luta do sindicato, assim como foi a plenária sobre a questão da expropriação das terras dos latifúndios, que defendemos ser sem indenização e perdemos na plenária geral.

No último dia, chamou a atenção o destaque da direção contra a moção de repúdio, proposta pela CPE, contra o governo Fátima, por não ter pago o décimo e férias dos temporários. A direção do Sinte teve que fazer destaque em defesa do governo, para blindar o governo Fátima da responsabilidade com os atrasos no pagamento dos direitos dos temporários. Esse é mais um exemplo de como a direção do Sinte age para blindar o governo o Fátima, num malabarismo discursivo de que qualquer crítica ao governo Fátima é supostamente “munição para a direita”.

No final da aprovação da tese-guia com as emendas, a Corrente Proletária teve que votar em abstenção com declaração de voto, expressando o desacordo com a formatação antidemocrática da “tese-guia”, além de seu caráter político de sustentação do reformismo petista. O único ponto em acordo foi a inclusão dos temporários na base de filiação do sindicato, que foi uma vitória para toda a categoria. A vanguarda com consciência de classe deve rechaçar a subordinação dos interesses dos trabalhadores oprimidos aos governos de turno e se organizar por suas reivindicações mais elementares nas assembleias e demais espaços de decisão da categoria.

22/11/2025

Congresso do Sinte-RN aprova inclusão dos professores temporários na base de filiação do sindicato

Uma vitória de toda a categoria!

Pela unidade entre efetivos e temporários!

    Os professores temporários têm amargado com duros ataques por parte do Governo Fátima (PT/MDB). Iniciaram o ano de 2025 com atrasos no 13º e férias.

    Inicialmente, os professores temporários recorreram à direção do Sinte-RN, que afirmou que não poderia representar legalmente os companheiros.

    Desamparados sindicalmente, os professores se organizaram em comissão e passaram a denunciar a atitude discriminatória do governo Fátima, que apenas dava promessas falsas.

    Iniciada a greve do estado pelo Piso Salarial, uma parcela significativa dos professores temporários entraram em greve levantando também sua reivindicação de pagamento do 13º e férias. O que impulsionou uma pressão, vinda da base, para que a direção do Sinte-RN, junto à comissão de base eleita, colocassem na mesa de negociação da greve a pauta dos professores temporários.

   A unidade entre efetivos e temporários na greve garantiu a conquista do pagamento do Piso e também o acordo com governo de pagamento do 13º e férias até julho deste ano.

    O governo, numa nova atitude discriminatória, pagou, em atraso, a uma parcela dos professores, enquantou outra parcela significativa ainda continua sem receber os seus direitos. No entanto, tenta passar publicamente a falsa ideia de, supostamente, já ter pago todos os temporários. A situação é crítica, pois se aproxima a nova data de pagamento do décimo, enquanto muitos não receberam o do ano passado.

    A inclusão dos temporários no estatuto é uma conquista de toda a categoria e, principalmente, dos professores temporários que se mobilizaram coletivamente e se colocaram como uma parcela fundamental para a efetividade da greve e para o fortalecimento do movimento coletivo dos trabalhadores em educação.

    A possibilidade de filiação dos temporários ao sindicato é só o primeiro passo. A luta continua para o pagamento de todos os direitos em atraso e para que os professores temporários sejam efetivados e passem a ter os mesmos direitos e estabilidade que os efetivos.

    A Corrente Proletária levanta a bandeira de nenhum trabalhador desempregado ou subempregado, por emprego e estabilidade para todos!

    Convidamos os professores temporários a se filiarem ao Sinte-RN, para, juntos, fortalecermos a luta pelos nossos direitos e em defesa da educação pública.


Junto a esse importante avanço, veio também um retrocesso

    A Corrente Proletária não pode deixar de expor discordâncias com a direção do Sinte-RN em pontos da alteração estatutária, que consideramos um retrocesso na proteção aos professores temporários que poderão se filiar a partir de agora.

    Sabemos que a realidade do professor temporário é de muita instabilidade no vínculo empregatício. Passa um ou dois anos empregado, e logo o contrato se encerra. Então muitos passam meses ou anos, até conseguir passar em outro processo seletivo, e assim por diante, até que, em algum momento, consiga passar pelo funil do concurso público.

    O Estatuto do Sinte-RN, até antes deste XVII Congresso, possuía uma cláusura (Art. 8º) que dava a garantia de que, mesmo desempregado, o professor poderia continuar filiado ao Sinte-RN, desde que pagasse mensalidade, e, em seu Art. 6º, garantia a assessoria judíco-trabalhista, por até dois anos, ao professor que ficasse desempregado.

    No entanto, com as atuais alterações propostas pela direção do Sinte-RN, foram suprimidos os Arts. 6º e 8º do estatuto, de modo que o professor temporário, ao ficar desempregado, será automaticamente excluído do quadro social e terá direito apenas à uma "consulta jurídica" por até seis meses.

    A Corrente Proletária considera que estas alterações significam um retrocesso e defende, como princípio, que o estatuto do sindicato recomponha as proteções à filiação do professor que passe a ficar desempregado.

Pela unidade entre efetivos, temporários e também desempregados!

15/11/2025

10 anos das ocupações de escolas em SP: para onde foi o movimento secundarista?


Breve histórico

Na noite do dia 9 de novembro de 2015, um grupo de estudantes da Escola Estadual Diadema, no centro desta cidade, pulou para dentro os muros da escola, fechou os portões com cadeados e estabeleceu a primeira do que seria a maior onda de ocupações de escolas que o Brasil já viu. No dia seguinte, outros estudantes, de forma articulada com os primeiros, ocuparam uma escola tradicional da região de Pinheiros, na capital paulista. A EE Fernão Dias foi a segunda escola ocupada no estado. A terceira, EE Castro Alves, se encontra na Zona Leste Paulistana, o que mostrou uma rápida articulação e organização dos estudantes.

Mas essa história não começou aí. O ano de 2015 foi um ano de intensas lutas em SP, que naquele momento era governado pelo atual vice-presidente Geraldo Alckmin. Em março daquele ano, os professores da rede estadual iniciaram a maior greve de sua história, permanecendo paralisados até meados de junho. Foram 92 dias de uma greve heroica, com mobilização massiva de professores, funcionários e alunos. Em muitas escolas os estudantes boicotaram as aulas dos professores fura-greve, indicando que estavam ao lado dos seus professores lutadores. A exigência central daquela greve era o salário, que seguia sendo corroído pela inflação e já estava defasado em 75% da média dos demais profissionais com ensino superior. Essa greve, que embora derrotada pelo autoritarismo do governo Alckmin e letargia da direção da APEOESP, mostrou para os estudantes o caminho da luta de classes, como única forma de resistir aos ataques do capitalismo em decomposição, que chegam aos explorados pelas mãos da burguesia e de seus governos.

Em setembro, o governo Alckmin, que tinha na pasta educacional Herman Voorwald, anunciou e colocou na ordem do dia um projeto de reorganização das unidades escolares de SP. Neste projeto, os estudantes seriam separados nas escolas por ciclos, escolas de Ensino Fundamental 1, escolas de Ensino Fundamental 2 e escolas de Ensino Médio. Nesta dança das cadeiras que os estudantes fariam trocando de escolas, o governo “percebeu” que 94 escolas poderiam ser fechadas. O projeto de reorganização das escolas, que afetaria mais de 300 mil estudantes, estava oficializado apenas no discurso do governador e no decreto nº 61.672, que transferia os funcionários das unidades que seriam fechadas. A magnitude do projeto fez com que começasse a ser debatido pelo movimento social.

O problema foi pauta de discussão sindical por parte dos professores no começo de setembro e outubro, mas não foi possível levantar outra greve naquele momento, principalmente devido à derrota de junho. Era preciso uma direção que fosse capaz de impulsionar a luta desde às bases, organizar amplas passagens nas escolas e unificar com os estudantes e outros trabalhadores em luta naquele momento. A crise de direção, que no movimento de professores de SP está materializada na direção petista que controla o sindicato há décadas, se impôs. Em uma assembleia da APEOESP, de 20 de outubro, o tema foi debatido. A Corrente Proletária na Educação/POR, defendeu a consigna “Escola fechada, escola ocupada”, como método para conter a ofensiva do governo. Não encontramos nenhuma menção anterior dessa consigna no movimento.

O que não estava muito claro é se os estudantes teriam condições de encampar a resistência contra este projeto. Do jornal Massas nº 510, de 15 de novembro de 2015, extraímos o seguinte trecho: “Manifestações ocorreram nos bairros, nas cidades do interior, nas diretorias de ensino, na Secretaria da Educação, nas grandes avenidas e no Palácio do Governo. Diante do autoritarismo de Alckmin, a assembleia da Apeoesp aprovou a bandeira de: escola fechada, escola ocupada. E nessa semana, várias escolas foram ocupadas pelos estudantes. A ocupação da tradicional escola da capital, Fernão Dias, ganhou projeção. Alckmin, por sua vez, responde com a violência policial e com a mesma campanha usada na greve dos professores de que se trata de uma ação partidária do PT.”

Esses fatos, apesar de ser apenas parte de todo o processo, são importantes pois mostram os vínculos entre o amplo movimento de ocupações que aconteceu a partir de novembro e a luta dos professores por suas condições de vida e de trabalho.

 

Base, direção e classe

 As manifestações de rua e fechamento de vias públicas fizeram com que a polícia entrasse em choque com os estudantes, o que teve um efeito contrário ao que esperava Alckmin. Mais estudantes foram para as ruas nas manifestações seguintes, até que em novembro, impulsionado por um grupo autonomista (filo-anarquista) chamado O Mal Educado, passou da tática das manifestações de rua e bloqueios às ocupações de escolas. Um aspecto que chama a atenção nesses primeiros desenvolvimentos das ocupações é a ausência completa das entidades estudantis UNE, UBES, UMES, que revelaram, na prática, seu descolamento do movimento real que se passa nas escolas. Sua direção política, a UJS/PCdoB, estava empenhada completamente na defesa do governo Dilma, ignorando o que se passava no chão das escolas. Pior, em novembro a UBES estava realizando seu 41º Congresso, onde as ocupações passaram despercebidas.

Os autonomistas tinham alcance limitado, levando a que muitas das ocupações seguintes às primeiras fossem executadas por estudantes independentes, por estudantes organizados em outros partidos e, posteriormente, pela própria UBES. Em um mês, chegou-se a aproximadamente 215 escolas ocupadas em todo o estado de SP. Cada escola tinha, além das reivindicações gerais contra o fechamento de escolas, suas reivindicações particulares. Criou-se o Comando das Escolas Ocupadas, um organismo surgido do próprio movimento para tentar organizar e dar curso à luta. O Comando contava com dois representantes de cada escola ocupada que se dispusesse a enviar sua delegação. Os encontros chegaram a contar com centenas de secundaristas e as decisões eram tomadas de forma coletiva, através de assembleias, com cada escola tendo direito a um voto. Eis como o próprio CEO se apresentava: “O Comando das Escolas Ocupadas é uma tentativa de unificar as ocupações de escolas em torno da luta contra a reorganização escolar. O Comando é composto por representantes secundaristas de várias das escolas ocupadas e se propõe a ser um espaço de articulação independente, horizontal e apartidário, aberto a todas as ocupações que estão na luta."

Essa definição de “independente, horizontal e apartidário” era a forma de se opor às entidades estudantis dirigidas pela UJS que buscavam hegemonizar o movimento, chegando ao ponto de fazer reuniões separadas com o governo. Os autonomistas, no entanto, em sua ânsia de se opor à burocratização das entidades oficiais, negavam a necessária política frentista com os partidos e organizações que se dispusessem à luta contra a reorganização escolar e as políticas regressivas do governo Alckmin. A elevada onda de privatizações atual, estava, naquele momento, em sua forma embrionária através das parcerias público privadas.

O sectarismo dos autonomistas levou ao esfacelamento do Comando e das próprias ocupações tão logo o governo recuou com a proposta de fechar as escolas. Houve um movimento de desocupações desordenado. Uma parte queria se manter nas ocupações, enquanto outra parte decidia por conta própria a saída das escolas. O resultado foi que àquelas que se mantiveram ocupadas passaram a sofrer uma dura ofensiva da polícia, das direções escolares e de grupos reacionários.

A ausência de uma política frentista, de um programa de luta pela educação para além do fechamento das escolas e da democracia operária (onde todos os envolvidos pudessem debater e decidir sobre os rumos do movimento), pesou sobre a massa estudantil sem experiência de luta, apesar de sua enorme disposição. Formou-se dois polos dirigentes, os autonomistas de um lado e a UBES/UJS de outro, o que levou ao enfraquecimento do movimento geral e sua dissolução desorganizada a partir de dezembro.

  

De lá para cá

O Secretário da Educação, Herman, caiu e em 05/12 o governo foi obrigado a recuar e publicar em diário oficial a revogação do decreto de transferência (nº 61.692). Uma vitória do movimento de ocupações, que conquistava ali sua exigência imediata: as noventa e quatro escolas não seriam fechadas em 2016.

Em 2016, as ocupações de escolas se espalharam pelo país como resistência às políticas do governo Temer. Apesar de sua amplitude, não foram capazes de barrar o Teto de Gastos ou as contrarreformas trabalhista e do ensino médio. A direção da entidade passou a se comprometer cada vez mais com a política burguesa, o que ficou evidente nas eleições de 2018. A única campanha levada a cabo pela UNE/UBES nesse período foi a campanha para que os jovens com 16 anos tirassem o título para votar. Com a eleição de Bolsonaro, essas entidades passaram à oposição de governo impulsionando a linha política do PT e PCdoB, formando uma oposição burguesa ao governo. O chamado “Tsunami da Educação” foi a única mobilização de rua que merece consideração, mas se manteve limitada já que estava subordinada aos cálculos da democracia burguesa de pressionar o governo e os parlamentares.

Com a Pandemia, a direção do movimento estudantil organizado mostrou toda sua fraqueza. Na esteira dos demais movimentos, sindicatos e centrais sindicais, passaram para o assistencialismo e a virtualidade. No momento em que a educação estava sendo profundamente atacada com o EaD, com a exclusão de uma massa de jovens que ficaram um ou dois anos sem escolas e sem aulas e com a miséria que se abateu sobre a maioria das famílias devido às demissões de trabalhadores, as direções estudantis foram colocadas a prova e reprovaram. A necessidade concreta impunha a luta com os métodos da ação direta coletiva, não a virtualidade e a passividade. A UNE foi favorável à bandeira burguesa de “união nacional”, ou seja, de conciliação com a burguesia.

Passada a Pandemia, a direção do movimento estudantil passou ao trabalho para eleger novamente o PT, o que fez com que defendesse e fizesse parte da frente ampla com setores proprietários, como os bancos e os capitalistas comerciais. A direção que dizia se opor radicalmente ao governo autoritário de Alckmin no estado de SP em 2015, passava a fazer campanha e pedir que os jovens votassem em Alckmin em 2022. Esse tipo de orientação contraditória faz com que mais estudantes se afastem de suas entidades representativas. Com o governo de frente ampla eleito, a UJS seguiu colocando interesses governistas sobre as necessidades da maioria estudantil, que continua sofrendo com a precarização geral da educação. A falta de luta contra o EaD, contra a plataformização da educação, contra as privatizações e contra a reforma do Ensino Médio, por exemplo, são a prova da falência dessa direção.

Nesse ínterim, os autonomistas foram desaparecendo da cena do movimento estudantil. O Mal Educado se dissolveu. Sua origem de classe pequeno-burguesa e a ausência de um programa político claro, que fosse além da reação conjuntural às políticas regressivas dos governos, provavelmente pesou sobre a organização. Os ex-ocupantes de escola se dispersaram, com exceção de uns poucos que se mantiveram ativos, a maioria em coletivos identitários.

O governo Alckmin, em 2016, e seus sucessores Dória e Tarcísio, fizeram sua lição de classe e ampliaram o controle sobre os secundaristas através dos grêmios e outras formas de cooptação estudantil. Os grêmios passaram a ser um braço do governo dentro das escolas, limitando sua organização política independente. Além disso, superou sua derrota para os estudantes fazendo um contorno para chegar ao mesmo objetivo. Passou ao fechamento de salas ao invés de escolas. Estudos posteriores indicam que o número de salas fechadas a partir de 2016 já superou o número de salas que seriam fechadas com as 94 escolas de 2015.

  

Principais lições para as lutas futuras

As análises sobre as ocupações abundam os periódicos de esquerda, os repositórios acadêmicos e os jornais de diferentes organizações que se reivindicam da luta dos trabalhadores. A ausência de uma análise baseada nos interesses e na luta de classes, no entanto, expressa a limitação da maioria dessas análises. Agora, quando esse movimento completa 10 anos, é tempo novamente de retomar essa discussão no sentido de assimilar as lições e reerguer a luta estudantil.

Algumas dessas limitações são: i) foco majoritário sobre processos internos e/ou particulares, processos que ocorreram dentro das escolas, incluindo aí aspectos culturais, midiáticos e formas organizativas, como o uso das redes sociais, por exemplo; ii) interpretações de que as ocupações foram uma espécie de raio num céu azul, tendo esse aspecto ganhado mais ou menos força em cada pesquisa. Ao não considerar as ocupações como parte da luta de classes no país, ganha força a ideia de que foi um acontecimento inesperado, eventual e surpreendente; iii) a ideia de que as formas de luta levadas a cabo pelos estudantes foram novas/inovadoras. Uma decorrência do problema central, pois, ao não se tomar a luta de classes como orientação da análise, perde-se de vista que os próprios métodos podem ser - e neste caso são - expressões desenvolvidas e aprimoradas pelas classes em sua luta histórica, como o método da ocupação que no capitalismo é essencialmente proletário; iv) a tendência de se tratar o movimento estudantil como um bloco monolítico, e não como uma disputa constante entre diferentes correntes políticas, entre diferentes métodos, táticas e estratégias, entre os diferentes interesses das direções e da base estudantil.

Diferente disso, a Corrente Proletária/POR sempre se esforçou por revelar as raízes de classe do conflito, sem fetichizar a luta estudantil, mas revelando suas contradições e acusando de maneira clara e objetiva o papel que cumpriu suas direções, em especial a direção das entidades estudantis, que representam uma verdadeira trava para a luta da juventude.

A vitória dos estudantes em 2015 é sem dúvida muito importante como lição política para a juventude e demais trabalhadores, já que mostrou que os governos podem ser derrotados pela ação coletiva e organizada, apoiada nos métodos de luta da classe operária e dos demais trabalhadores.

O retrocesso organizativo posterior e o retrocesso material com o fechamento das salas é parte das lições que os estudantes devem assimilar para retomar o movimento contra os governos atuais. Para superar as disputas fratricidas dentro do movimento, além do sectarismo de certos grupos, é preciso desenvolver no meio estudantil uma política proletária, que não rejeita a necessidade de uma política frentista para combater nossos inimigos de classe. O principismo sectário dos autonomistas contribuiu para o enfraquecimento posterior da luta do movimento estudantil.

Uma das lições mais importantes de todo esse processo é, sem dúvidas, a necessidade de superar as direções governistas e conciliadoras. A direção da UNE/UBES mostra aos estudantes que está comprometida com os seus governos e não com os interesses da massa estudantil explorada. O controle burocrático dessas entidades tem ficado cada vez mais evidentes diante da necessidade de se manter no controle dessas entidades. Os últimos CONUBES e CONUNEs mostraram esse aspecto claramente.

Os estudantes e a juventude não são classes sociais, portanto, não podem ter uma política própria, independente das classes em disputa no capitalismo. Portanto, a tarefa principal para o movimento estudantil nesse momento, é assimilar as lições históricas do próprio movimento estudantil, bem como a experiência histórica e a política da classe operária, a única que pode se contrapor de forma consequente à burguesia e seus governos. É preciso desenvolver uma política proletária no movimento estudantil. A Corrente Proletária Estudantil se coloca integralmente por cumprir essa tarefa.

09/11/2025

Por um Congresso classista, que sirva para organizar a resistência e unificar o magistério

XVII Congresso do Sinte-RN

 

Por um Congresso classista, que sirva para organizar a resistência e unificar o magistério

    O XVII Congresso do Sinte-RN ocorre nos dias 20 a 22 de novembro em Nísia Floresta. O Congresso é a instância máxima de deliberação do sindicato, e onde são aprovadas as estratégias da categoria para o próximo período, assim como eventuais alterações estatutárias. O XVII Congresso ocorre em meio a um conjunto de ataques aos trabalhadores em educação por parte dos governos, que precisam ser respondidos com luta.


Governo Lula/Alckmin implementa as contrarreformas na educação

O governo burguês de frente ampla de Lula tem sido de continuidade e implementação das contrarreformas dos governos anteriores. O Novo Ensino Médio não foi revogado. A nova BNCC segue sendo implementada. O ensino a distância, que acentua a separação da teoria e prática, segue ganhando cada vez mais espaço. As escolas cívico-militares e as privatizações avançam, atacando os direitos mais elementares. O Piso Nacional do Magistério permanece muito aquém das reais necessidades dos trabalhadores.

Está em pauta no Congresso a PEC 38/2025, uma Reforma Administrativa que cerceará o direito à estabilidade, transformará salário em bônus, restringirá concursos e destruirá direitos conquistados pelo funcionalismo nos últimos anos.

 

Governo burguês de Fátima (PT/MDB) governa para a oligarquia e os capitalistas

No estado, o governo Fátima (PT/MDB), eleito a partir de uma frente ampla com a oligarquia Alves, e de mãos dadas com a FIERN, sustenta incentivos fiscais aos capitalistas, enquanto mantém uma política de precarização da educação. Com uma longa greve e muita luta, os professores arrancaram a atualização do Piso, porém sem pagamento do retroativo, que segue indefinido.

As Escolas de Tempo Integral seguem avançando no estado, apesar da valorosa resistência de uma parte da categoria. A ETI é mais uma forma de precarização, que é excludente em relação ao jovem que precisa procurar emprego, sobrecarrega o professor e aluno e vem como uma falsa solução ao problema da crise na educação.

Quanto aos funcionários, a aprovação do novo PCCR foi aprovado como uma vitória, no entanto permanece os baixos salários e a precarização, mostrando que a única solução é a luta pelo salário mínimo vital para todos.

 

Unidade entre efetivos e temporários

Os professores temporários, que tem aumentado significativamente nos últimos anos, têm sido massacrados pelo governo Fátima com o não pagamento do 13º e férias de 2024. Embora o governo diga que já pagou, muitos temporários ainda seguem sem receber não só o de 2024, mas também a 1ª parcela de 2025.

A Corrente Proletária, durante a greve do estado, defendeu que só deveria finalizar quando também conquistasse do governo o pagamento do 13º e férias dos temporários. Tem defendido também que, diante do descaso do governo, o Sinte-RN continue defendendo as pautas dos temporários como parte da luta do magistério.

Para dar mais um passo nessa unidade, a Corrente Proletária defende que o XVII Congresso altere o Estatuto para incluir os professores temporários na base de filiação do sindicato, assim como acontece em outros estados como Ceará e Pernambuco.


Nos municípios, os prefeitos acentuam os ataques à educação

Nos municípios, governados em sua grande maioria pela direita e ultradireita, seguem atacando sem limites os trabalhadores em educação. Em Natal, o ultradireitista Paulinho (União Brasil) tem privatizado a merenda e dado continuidade à política de arrocho salarial do magistério. A migalha salarial do meio do ano, sem pagar retroativo, está longe de repor as enormes perdas salariais.

Além disso, os professores em Natal sofrem com a fragmentação da categoria em três regimes (leis 058, 114 e 241), que visa quebrar a unidade dos trabalhadores, atacar direitos históricos e precarizar ainda mais as condições de trabalho dos professores.

Em São Gonçalo do Amarante, o prefeito Jaime Calado (PSD) tem realizado campanhas de difamação da categoria e impondo um arrocho salarial, sem repassar o piso na carreira. Além disso, tem imposto um odioso ponto eletrônico, com reconhecimento facial, para perseguir ainda mais os trabalhadores em educação.

O papel da direção do Sinte-RN (PT)

Em meio a todos esses ataques, a categoria precisa recompor suas forças, se organizar e preparar a luta. A direção do Sinte-RN (PT), no entanto, não tem atuado para preparar a categoria para o enfrentamento, pois tem priorizado a via da pressão parlamentar e institucional, em detrimento de fortalecer o caminho da ação direta. Um exemplo foi o da greve no estado este ano, que só iniciou no final de fevereiro, ainda com atraso, por muita pressão da categoria nas assembleias.

Em Natal, a direção do Sinte segue participando de uma audiência atrás de outra, sem preparar a categoria para a greve e o enfrentamento direto. Dessa forma, a prefeitura se vê de mãos livres para continuar atacando os direitos do magistério.

 

O formato do Congresso dificulta a participação da base

A decisão da direção do Sinte-RN de realizar o XVII Congresso (assim como os congressos anteriores) em um local distante e isolado dificulta ainda mais a participação da categoria. A cobrança de uma taxa de participação é mais um obstáculo, uma vez que os filiados já contribuem no contracheque com o sindicato. Além disso, o Congresso possui um enorme custo, que tem a ver com a reserva de todo um hotel e espaço de eventos pelos três dias, em um local distante da zona urbana, quando se poderia realizar um Congresso mais barato no centro da capital e de fácil acesso.

A Corrente Proletária, ao passar nas escolas, nota a insatisfação dos trabalhadores com o formato deste Congresso. No entanto, o XVII Congresso do Sinte-RN segue sendo a instância máxima sindical e a oportunidade para a categoria aprovar resoluções e um plano de luta e unidade dos trabalhadores em educação. Defendemos em cada escola que visitamos que os trabalhadores elejam seus representantes, por turno, para participar do Congresso, dada a sua importância.

Por um plano de lutas que responda aos ataques dos governos:

a) Independência político-sindical frente ao governo Lula/Alckmin, Fátima (PT/MDB) e às prefeituras;

b) Fim da fragmentação em três regimes (058, 114 e 241) do magistério de Natal!

c) Recomposição imediata das perdas salariais!

d) Pelo reconhecimento integral do 1/3 de hora-atividade! Planejamento em local de livre escolha do docente!

e) Progressões automáticas, a cada 2 anos, a partir do ingresso no cargo!

f) Jornada máxima de 20h, sem redução de salário!

g) Abaixo a implantação do ponto eletrônico em São Gonçalo do Amarante!

h) Pela redução da jornada sem redução de salários com a escala móvel das horas de trabalho (distribuição das horas de trabalho entre todos os aptos);

i) Unificar os trabalhadores em torno de um Piso Salarial Vital (segundo o Dieese, R$ 7.147,91)!

j) Máximo de 25 alunos por turma (no ensino fundamental e médio); e não mais que 12 alunos na educação infantil!

k) Fim da contratação temporária! Efetivação imediata de todos os professores temporários!

l) Fim da terceirização! Efetivação imediata de todos os trabalhadores terceirizados!

m) Revogação das reformas trabalhistas e previdenciárias!

n) Abaixo o ensino a distância (EaD);

o) Abaixo o Novo Ensino Médio (NEM)! Fim da Escola de Tempo Integral (ETI)!

p) Expropriação da rede privada de ensino sem indenização! Por um sistema único de educação público, gratuito, laico, científico e vinculado à produção social, que una teoria e prática!

q) Abaixo a PEC 38/2025 (Reforma Administrativa)!


Responder ao avanço do intervencionismo imperialista

O imperialismo, tendo como pivô os EUA, tem avançado com as tendências bélicas e a guerra comercial, que ameaçam provocar uma barbárie generalizada no mundo.

No Oriente Médio, a fragilidade do acordo de cessar fogo entre Israel e Hamas, costurado pelos EUA, é um risco para retomada da matança na faixa de Gaza. Na Ucrânia, a guerra provocada pelos EUA e OTAN segue sob o risco de se estender para toda a Europa.

Na América Latina, o governo Trump tem deslocado dezenas de navios de guerra no Caribe, sob a máscara de combate as drogas, como uma forma de justificar uma intervenção direta sobre a Venezuela e a Colômbia.

O tarifaço dos EUA sobre o Brasil veio no sentido de impor o alinhamento do Brasil com a guerra comercial dos EUA contra a China. Diante da pressão, o governo Lula se mostra impotente.

Somente a classe operária, em aliança com os camponeses, é capaz de dar uma resposta revolucionária e anti-imperialista ao intervencionismo dos EUA!

Para isso, é fundamental que as centrais sindicais convoquem um dia nacional de lutas, partindo das reivindicações elementares dos explorados, como a defesa dos empregos, salários, direitos, saúde e educação públicas, fazendo a ponte com as reivindicações estratégicas de luta anticapitalista e anti-imperialista!

·     Apoio incondicional à Venezuela e à Colômbia!

·     Abaixo o Estado Sionista! Autodeterminação do povo palestino!

·     Fim da guerra na Ucrânia. Por uma paz sem anexações! Desmantelamento da OTAN e fim das bases militares dos EUA na Europa e no mundo!

·     Por uma Frente Única Anti-imperialista!

Nota de solidariedade à luta de Nando

A Corrente Proletária na Educação presta solidariedade a Fernando Antonio Soares dos Santos (Nando Poeta), servidor da SEEC/RN, que vem sofr...