Posição da Corrente Proletária sobre as eleições da regional do Sinte Ceará-Mirim
As eleições para a coordenação geral da
Regional do Sinte Ceará-Mirim ocorrerão no dia 30 de setembro. Foram inscritas
três chapas: a chapa da atual direção, chapa 1 – Bloco Classista (Muda
Sinte/PSTU e independentes); chapa 2 – coletivo Nova Primavera (PT); e chapa 3
– Movimento MUDE. A polarização se dá entre as chapas 1 e 2.
A chapa 2 – Nova Primavera (PT) corresponde
politicamente ao grupo que atualmente (e há muitos anos) está na direção
estadual do Sinte-RN. Caracteriza-se por ser uma direção conciliadora, que
submete a luta sindical à estratégia eleitoral do PT de ocupar postos no
executivo e legislativo burguês, como se por essa via fosse possível assegurar
direitos para os trabalhadores.
Ao final de 2024, essa mesma direção
estadual (PT) capitulou diante da decisão de caráter ditatorial feita pelo
Ministério do Trabalho e Emprego (ou seja, pelo Governo Lula), impondo que o
Sinte-RN deveria excluir do Estatuto as bases municipais de Extremoz, Caicó,
Luís Gomes, Major Sales e Paraná, sob pena de suspensão definitiva da Carta
Sindical. A direção estadual do Sinte (PT), ao invés de chamar a categoria para
a resistência, decidiu por convocar um “Congresso Extraordinário” às pressas
(com apenas dois dias de antecedência), sem transparência sobre o que seria
decidido e sem eleição de delegados nas escolas, a fim de capitular à
intervenção do Ministério do Trabalho do Governo Lula.
Particularmente, a exclusão da base
municipal de Extremoz do Estatuto do Sinte-RN favoreceu ao PT na disputa pela
Regional de Ceará-Mirim, uma vez que a rede municipal de Extremoz é uma base
numerosa onde o Muda Sinte tem maior influência.
Não bastando essa capitulação à intervenção
ditatorial do Ministério do Trabalho, as atuais eleições da regional do Sinte
Ceará-Mirim se encontram sob a tutela da Justiça burguesa, fruto da ação
judicial movida pela Chapa 2 - Nova Primavera (PT), que discordou da comissão
eleitoral e reivindicou ser reconhecida como chapa 1, o que foi rejeitado pela
Justiça. Em contrapartida, o juiz determinou que, a partir de agora, todos os
atos da comissão eleitoral, assim como o acompanhamento no dia das eleições, estarão
sob tutela de um oficial de justiça.
Qualquer corrente que se reivindique da
independência sindical diante dos governos e do Estado deve RECHAÇAR
essa intervenção da Justiça burguesa. Toda e qualquer divergência no movimento
sindical deve ser resolvida entre os próprios trabalhadores. A atitude do
coletivo Nova Primavera (PT) de recorrer à Justiça para tutelar um processo
eleitoral sindical só serve para enfraquecer a organização independente dos
trabalhadores e fortalecer o intervencionismo do aparato
do Estado burguês sobre o movimento sindical.
A Corrente Proletária na Educação (CPE/POR)
atuou por vários anos na regional de Ceará-Mirim, no campo da Oposição
Revolucionária, sempre fortalecendo, pela base, os métodos de luta da categoria
e a democracia sindical, frente às tendências burocráticas e às vacilações do
centrismo pequeno-burguês da atual direção da regional Ceará-Mirim (Muda
Sinte). No entanto, no início de 2020, os até então militantes da Corrente
Proletária (CPE/POR) que atuavam na regional Ceará-Mirim romperam com a nossa
organização e com a estratégia revolucionária, e hoje são parte da chapa 2 –
coletivo Nova Primavera (PT), seguindo a política de conciliação de classes do
reformismo.
Em maio/junho deste ano (2026), nas
eleições para a direção estadual do Sinte-RN, diante da necessidade de combater
a política reformista, eleitoreira e conciliadora da atual direção estadual
(PT), a Corrente Proletária compôs uma chapa de Oposição Unificada, junto com o
Muda Sinte, PSOL e Independentes. É nesse sentido que, diante das eleições
sindicais em Ceará-Mirim, consideramos que um eventual retorno do PT à direção
da regional significaria um retrocesso à luta da oposição estadual, uma vez que
alinharia mais uma regional à política da direção estadual (PT). Por isso, a
Corrente Proletária se posiciona pelo apoio crítico à Chapa 1 - Bloco
Classista, Sindical de Luta Independente de Governo (Muda Sinte/PSTU e
independentes) para as eleições da regional do Sinte-RN Ceará-Mirim.
A Chapa 1, para combater o sindicalismo
colaboracionista, deve se apoiar inteiramente nos métodos da democracia
operária e defender o programa de reivindicações que una os trabalhadores em
educação no enfrentamento a todas as formas de exploração e opressão
capitalistas. Nesse momento de intervenção do Estado nas eleições sindicais,
deve ser feita a defesa da total independência dos sindicatos. É com essa linha
geral que a Corrente Proletária se coloca pelo apoio crítico à Chapa 1.

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