Nos últimos
anos, o reajuste do Piso tem sido a principal reivindicação dos professores da
rede estadual do RN. No entanto, as demais reivindicações que expressam as
reais necessidades da categoria quase não aparecem. A direção do SINTE/RN (PT)
esforça-se em manter essa limitação, ao impedir que as reivindicações mais
sentidas da categoria se expressem nas assembleias.
Além do
rebaixamento das reivindicações, há ainda os métodos burocráticos e limitados
da direção sindical, que favorecem a política burguesa do governo Fátima
(PT/MDB) e facilita a diretriz de rebaixamento salarial, determinada pela
política geral de austeridade contra os trabalhadores.
A intervenção
do Ministério Público e do Tribunal de Justiça estadual visa disciplinar a
aplicação dessa política econômica. O aceno do governo Fátima aos professores
de que irá recorrer da decisão visou acobertar sua política de austeridade que,
recentemente, descumpriu o acordo de greve e aumentou o parcelamento do Piso de
2023 e 2024 para 19 parcelas.
A direção do
SINTE-RN tem negado o método próprio dos trabalhadores, que é a ação direta
coletiva. Até o momento, sequer o ato público, aprovado na última assembleia,
foi encaminhado por essa burocracia sindical, passando por cima da decisão
coletiva e soberana dos professores.
A via judicial é suficiente?
Nenhum
direito burguês é, de fato, uma garantia. A categoria dos docentes estaduais e
municipais do RN vêm travando lutas para garantir que a Lei do Piso seja
cumprida. Direito esse que tem sido pago em intermináveis parcelas. Por isso, para
os trabalhadores a medida judicial é acessória, sendo a principal o
método da ação direta.
A categoria
tem consumido anos de luta por uma pauta extremamente básica, que é o reajuste
automático do Piso. Não bastando isso, agora os professores se deparam com um
ataque do Ministério Público (MP) e Tribunal de Justiça (TJ-RN). Além da
suspensão das parcelas do Piso, fruto das negociações feitas em assembleias,
paralisações e greves anteriores, a justiça burguesa impõe o Piso como o limite
à carreira do magistério, que na prática é um rebaixamento salarial. Não haverá
reajuste do piso na carreira e sempre que se impuser o entendimento da lei de
responsabilidade fiscal, o reajuste do piso será suspenso. A vida do
professor fica dependendo das determinações da política econômica burguesa,
contrária aos interesses dos trabalhadores.
Além
disso, a política de austeridade de governo de frente ampla Lula/Alckimin, sob
a forma de arrocho salarial em nível nacional, influencia os governos e demais
instituições locais em prol do estrangulamento orçamentário. Posicionado em
favor desta política, tanto o governo quanto a justiça burguesa favorecem o
sucateamento das condições estruturais das escolas e o rebaixamento salarial.
Docentes ativos e inativos sofrerão com as medidas jurídicas impostas à
categoria. Nota-se que a justiça jamais intervirá por decisões que favoreçam a
escola pública e a valorização dos trabalhadores em educação. Por isso, os
trabalhadores não podem ter nenhuma ilusão nessa via judicial como a única
saída na resolução de seus problemas.
Qual a política da direção do SINTE/RN?
Ao constatar a
gravidade da situação que a categoria foi levada, a direção sindical trouxe os
encaminhamentos para judicializar e recorrer a uma interpretação nacional,
mesmo que a tendência seja contrária aos trabalhadores. Vale ressaltar que
nenhum dos encaminhamentos apresentados pelo SINTE permite aos professores uma
participação ativa na luta por seus direitos, restando apenas esperar uma
decisão favorável, ou não, das instâncias do aparato jurídico burguês.
Os professores
foram unânimes e incisivos nas intervenções ao afirmar a necessidade do movimento
de classe unificado, em atos de paralisação e denúncia. A direção do
SINTE passa por cima da decisão soberana da assembleia ao não encaminhar o
ato aprovado até o atual momento.
Em relação à luta dos funcionários de escola pelo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), é flagrante a condução burocrática da direção sindical. Em vez organizar uma luta com unidade entre os professores e funcionários, já que ambos estão tendo os seus direitos atacados, a diretoria divide os trabalhadores.
Agora, a
direção sindical tenta dividir ainda mais a categoria ao convocar assembleias
por regionais, com a intenção de enfraquecer a unidade do movimento. Trata-se
de mais um mecanismo burocrático, mostrando até que ponto uma direção burocrática
é capaz de chegar, mesmo diante de tamanho ataque contra os trabalhadores.
A importância da luta organizada e em unidade
A organização
se faz urgente diante dos golpes desferidos à categoria, porém a prática da
direção sindical se mostrou de caráter conciliatório aos interesses dos
representantes da burguesia. É preciso formar uma unidade entre trabalhadores
em educação e a comunidade escolar. Aposentados, professores, funcionários,
pais e estudantes juntos para erguer um grande movimento em defesa da escola
pública.
Se os
professores não responderem a este ataque com a luta direta, é possível que uma
das principais reivindicações da categoria seja golpeada numa eventual derrota
pela via jurídica. Por isso, é importante que a categoria esteja organizada
desde já contra esse ataque, com independência de classe. Só o método próprio
da luta de classes, com democracia nas assembleias pode erguer um movimento
organizado contra os ataques da justiça.
Diante de
tamanho ataque do MP-RN e TJ-RN é importante a unidade de todos os trabalhadores na
educação na luta por direitos, salários, contra o sucateamento das escolas, e a
defesa dos investimentos na educação pública, que passa pelos salários dos
servidores à estrutura das escolas. A luta do magistério deverá dar unidade a
todos da educação: funcionários, estudantes, terceirizados e pais em defesa da
educação pública. Que a direção do SINTE/RN organize o dia de paralisação
estadual em frente ao TJ-RN!
Nenhum plano de austeridade contra a educação pública!
Abaixo a liminar do MP e TJ-RN contra a educação pública!
Pagamento das parcelas do retroativo do piso já!